

Entrevista

Danniel Goulart
"Apesar da internet, a grande mídia ainda é massificadora e trata a música exclusivamente como produto"
*Danniel contou como foi lançar dois discos pela Lei Murilo Mendes e os desafios de ser músico autoral nos dias de hoje. A entrevista foi base para a reportagem “Delírios e sonhos do músico autoral e a realidade”.
AC: Quais as dificuldades um músico enfrenta com relação ao trabalho autoral?
DG: Músicos independentes estão praticamente excluídos do mercado. Mesmo aqueles que lutam em cooperativas, em coletivos enfrentam dificuldades enormes. A indústria do entretenimento brasileira está em grande parte dominada por sertanejos e adjacências. Não tenho nada contra eles, mas acho que deveria haver mecanismos que ajudassem a democratizar o espaço. Apesar da internet, a grande mídia ainda é massificadora e trata a música exclusivamente como produto, o que normal dentro de um sistema capitalista, mas não deveria ser normal dentro de um sistema democrático. Mesmo a internet continua concentrando poder na mão de grandes portais e mecanismos de direcionamento de conteúdo. Uma luta. No entanto estamos aí produzindo, tentando atingir as pessoas. Há esperança na humanidade.
AC: Você tem dois discos autorais. Os dois saíram por meio de lei de incentivo a cultura. Como foi esse processo? O que você teve que fazer pra conseguir lançar seu trabalho?
DG: A lei de incentivo à cultura de Juiz de Fora é uma conquista a ser preservada. Enquanto leis de incentivo como a Rouanet fazem o artista correr atrás de grandes empresas com o pires na mão, deixando que elas decidam quem vai ser incentivado, a Lei Murilo Mendes faz uma triagem pública, baseado em critérios mais artísticos que comerciais. Portanto uma luz no meio da ditadura do mercado. Quando coloquei meu projeto na primeira vez, eu era literalmente um João Ninguém em Juiz de Fora e projeto passou ainda assim. Para mim foi muito importante e para muitos artistas também continua sendo de uma importância grande a ponto de ser a lei uma mantenedora da cultura da cidade em atividade nesses tempos doidos.
AC: Na hora de escrever o projeto para concorrer a Lei Murilo Mendes, como foi?
DG: Fiz tudo sozinho e não gostei (rs). Não gosto dessa parte burocrática. Mas acabou dando certo e não é assim tão difícil de fazer…
AC: Quais a as contrapartidas ao se lançar um trabalho por meio da lei Murilo Mendes?
DG: Deixei 30 por cento da produção na FUNALFA e fazemos shows de contrapartida, de graça em eventos da Prefeitura de Juiz de Fora.
AC: Enquanto músico autoral, como você vê hoje as plataformas de streaming de música?
DG: Acho importante por que é uma saída para a distribuição e divulgação do trabalho
AC: Existe alguma dificuldade pra colocar o trabalho nessas plataformas? Você pretende colocar?
DG: Tem que pagar uma grana lá...vou colocar dentro em breve os dois CDs. Acho importante. É o futuro, pelo menos até semana que vem.