

Entrevista

Rogério Arantes
"No nosso caso, do Tropeço, aqui há também uma amizade, um sentimento de coletividade que não se separa do nosso trabalho como um todo."
*Rogério conversou com a gente sobre o Tropeço Trio e o processo da banda de lançar um trabalho autoral. A entrevista foi base para a reportagem “Delírios e sonhos do músico autoral e a realidade”.
Amet Culturae: Quanto tempo demorou pra banda lançar o seu primeiro trabalho autoral?
Rogério: O tropeço Trio nasceu na passagem de 2015 para 2016. O Nathan Itaborahy, o Douglas Poerner e o Renato da Lapa já tocavam juntos em outros projetos, na época o que estava mais evidente era a Blend 87. Naturalmente, por conta de já formarem bateria, baixo e guitarra da Blend, eles formavam um trio, tocando em casa, na cozinha, que é bem a proposta do Tropeço, e começou a nascer um trio mesmo. Então foi no começo de 2016. E aí, nesse mesmo ano, o Tropeço se inscreveu com um projeto na Lei Murilo Mendes para a gravação desse primeiro EP, o primeiro trabalho autoral da banda: “O Assassinato da Carteira Assinada”. Até então, tinha sido o último edital da lei, 2016, teve esse hiato, e só agora que vai sair edital da Murilo Mendes novamente, já até foi anunciado. Deve sair nos próximos dias. E aí demorou praticamente 2 anos, desde a banda ter começado, concorrido ao edital, e aí todo processo de escolha das músicas, produção, gravação, tudo que se precisa pra sair, durou mais ou menos dois anos. E aí ele foi lançado em agosto de 2018 nas plataformas digitais e em maio de 2019 teve o lançamento físico do CD, que foi no O’Andar de Baixo.
AC: As músicas estavam todas prontas quando o projeto inscrito na lei foi escrito? Como foi o processo de escrever o projeto? Todos participaram?
R: Quando a gente inscreveu o projeto, a proposta na lei, acredito que todas as músicas estavam prontas, escritas. Já existiam, mas ao longo da produção, algumas que inicialmente a gente achou que com certeza iriam entrar, ficaram de fora e outras acabaram entrando. Porque como era um EP, no caso foram gravadas seis canções e uma música instrumental. E o nosso repertório autoral, que a gente compõe junto e com outros parceiros, é bem maior. Então teve que rolar um filtro e acabou chegando nas sete que foram gravadas durante o processo. Tiveram mudanças de quando a gente inscreveu.
AC: Quais foram as contrapartidas de se lançar um trabalho por meio de lei de incentivo a cultura?
R: As contrapartidas para lançar esse trabalho são já conhecidas da Lei Murilo Mendes, que é deixar uma quantidade do, no nosso caso que foram EPs físicos, de 30% das tiragens na Funalfa. Além disso, fazer show, mostrar o trabalho. E outro ponto que também é uma contrapartida é justamente mencionar em toda e qualquer forma de divulgação por escrito, tudo que for vinculado ao EP, deve vir com a informação de que foi um projeto produzido com incentivo da Lei Murilo Mendes da Funalfa, prefeitura de Juiz de Fora.
AC: Sobre a Lei Murilo Mendes, como foi o processo de inscrição no edital da lei?
R: A Lei Murilo Mendes é muito conhecida no meio artístico de Juiz de Fora e, como eu tinha mencionado foi ruim ter ficado esses últimos dois anos sem ela, e está voltando agora. Mas todos os artistas de Juiz de Fora conhecem, já ouviram falar da lei. Então assim que saiu o edital em 2016, como eu falei, o Tropeço estava nascendo, naquele ímpeto inicial, e a gente logo pensou, por já ter as canções, já ter muito material, de propor a gravação do EP. E aí foi um processo conjunto mesmo, como é o Tropeço, os três, Douglas, Nathan e Renato e também com esse trabalho meu e da Lívia Almeida. Na verdade, o projeto em si foi uma coisa mais dos três músicos. O Nathan já tinha experiência de ter sido aprovado na Lei um ano antes, com “Devaneios Necessários”, que é o livro de poemas dele. Então ele assumiu essa parte da escrita e teve a colaboração mais próxima do Douglas e do Renato. Até porque nessa época eu não estava morando em Juiz de Fora. Só em 2017 que eu, de fato, assumi essa função de produtor executivo e o projeto já tinha sido aprovado e já estava rolando a produção. Então nessa parte de escrever o projeto eu não participei tão diretamente, mas sei que foi assim: usando muito do que o Nathan já sabia do edital.
AC: O que vocês tiveram que fazer para que o álbum saísse nas plataformas de streaming? Pagaram alguma coisa?
R: A gente optou por essa forma porque a gente viu que cada vez mais as pessoas vêm consumindo música pelas plataformas de streaming em geral. E a gente teve a ideia de fazer os dois lançamentos. Um lançamento nas plataformas digitais e depois um lançamento físico. Até no sentido de as pessoas conhecerem o som, as músicas e terem essa oportunidade de ouvir a qualquer momento nas plataformas e depois irem para o show já conhecendo o trabalho. A gente fez a divulgação anterior. E aí esse processo já foi mais uma responsabilidade minha como produtor.
As próprias plataformas sugerem, mostram, sites que fazem esse intermédio: você se cadastra no site e ele mesmo já manda as músicas para as plataformas digitais. Escolhi um site e o processo é cadastrar, assinar um pacote que varia da quantidade de artistas que você quer colocar nas plataformas. É cobrado um valor anual para você ter direito a subir as músicas para todas as plataformas digitais. Um mesmo site põe as músicas em todas as plataformas, se você quiser. Você sobe as músicas em .mp3 e você pode editar toda a ficha técnica e adicionar arte do CD para que ele (o site) envie para as plataformas. Nós agendamos a data do lançamento, que é uma opção que o site dá. Agendamos para uma sexta, fizemos uma divulgação anterior e no dia do lançamento fizemos uma live nas redes sociais. É também por meio desse site que você recebe pelos plays, as vezes que sua música foi tocada. Existe uma tabela que estipula quanto o artista ganha a partir da quantidade de vezes que as músicas foram executadas. O dinheiro vai ficando acumulado e quando a gente tiver interesse, vamos tirar esse dinheiro. E o interessante é que o site mostra o quanto de dinheiro veio de cada plataforma.
AC: Quais as atribuições de um produtor executivo?
R: Planejamento, estrutura, a logística da banda, organizar a divulgação, cuidar da agenda de shows, processo de gerenciar as plataformas digitais, inscrever em editais, tudo isso envolve esse trabalho, e no nosso caso do Tropeço, aqui há também uma amizade, um sentimento de coletividade que não se separa do nosso trabalho como um todo.